terça-feira, 21 de setembro de 2010

ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO: ESPÍRITO E MATÉRIA O ESPÍRITO

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Allan Kardec [LE-q. 27] afirma que todas as coisas que existem no universo podem ser sintetizadas em três elementos fundamentais, que ele denomina de Trindade Universal. Esses elementos são: Deus, espírito e matéria.
O espírito, na definição da Doutrina Espírita, é o princípio inteligente do universo, individualizado, com moralidade própria. O espírito é distinto de Deus, seu criador, e da matéria, a qual se une para que possa se manifestar.
A MATÉRIA
Define-se matéria, como tudo o que tem massa e que ocupa lugar no espaço. De acordo com essa conceituação, tudo aquilo que pode ser pesado, medido, etc., é matéria. Existem outros elementos, porém, como o som, a luz, o calor. Estes são denominados energia. Classicamente, costuma-se dizer que energia é a capacidade dos corpos para produzir um trabalho ou desenvolver uma força. Sabe-se que a energia não pode ser "criada" e nem "destruída", mas sim transformada. Toda forma de energia que existe no Universo é transformação de uma outra anterior.
A partir da Teoria da Relatividade de Einstein tem-se observado que, na realidade, matéria e energia são as duas faces de uma mesma moeda. A matéria é energia condensada e a energia uma forma de apresentação da matéria.
Na definição espírita matéria é "tudo sobre o qual o espírito exerce a sua ação". André Luiz [Mecanismos da Mediunidade] referindo-se ao tema diz:
"A matéria é energia tornada visível e toda energia, originariamente, é força divina de que nos apropriamos para interpor os nossos propósitos aos propósitos da criação."
Reconhece-se três tipos de matéria:
Ponderável
É a matéria física, que preenche o mundo dos encarnados e dá origem aos corpos e elementos.
Imponderável
Também denominada matéria psi (Hernani Guimarães Andrade), matéria mental (André Luiz) ou matéria quintessenciada (Allan Kardec), é a matéria do mundo espiritual, num tônus vibratório mais elevado.
Fluido Cósmico Universal (FCU)
Também chamado fluido universal, exerce o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita. Podemos entender o FCU como sendo a matéria-energia elementar primitiva, dispersa por todos os cantos do Universo. Uma matéria extremamente sutil, cujas modificações e transformações vão constituir a inumerável variedade dos corpos da natureza.
André Luiz [Evolução em Dois Mundos] afirma que:
"O Fluido Cósmico é o plasma divino, hausto do Criador, força nervosa do Todo-Sábio. Nesse elemento primordial vibram e vivem constelações e sóis, mundos e seres, como peixes no oceano. O Fluido Cósmico é a força em que todos vivemos, nos ângulos variados da Natureza."
OS FLUIDOS
Segundo a Física, fluidos são corpos cujas moléculas cedem a mínima pressão, movendo-se entre si com facilidade e separando-se quando entregues a si mesmos. A Física atual restringe o conceito de fluidos apenas aos líquidos e gases.
Na Doutrina Espírita os fluidos têm o mesmo sentido de matéria. Os fluidos podem variar seu estado desde a eterização até a materialização. É comum a utilização da expressão fluidos espirituais para designar a matéria imponderável, embora segundo Kardec [GEN-cap XIV] esta denominação não seja exata. Os fluidos sofrem ação do Espírito. Segundo André Luiz [Evolução em Dois Mundos] os fluidos espirituais são:
"Um fluido vivo e multiforme, estuante e inestancável, a nascer da própria alma, de vez que podemos defini-lo, por subproduto do fluido cósmico, absorvido pela mente humana, em processo vitalista semelhante a respiração, pelo qual a criatura assimila a força emanante do Criador, esparsa em todo o cosmo, transubstanciando-a, sob a própria responsabilidade, para influenciar na Criação."
Observa-se pela definição acima que todo um processo dinâmico e complexo envolve a formação dos fluidos espirituais. Ao ser absorvido pelo Espírito, o Fluido Cósmico será manipulado na mente. A mente humana é um brilhante laboratório de forças sutis, onde o Pensamento e a Vontade estarão aglutinando as partículas do Fluido Cósmico e dando a elas características próprias. André Luiz dá o nome de raio da emoção ou raio do desejo a essa força que opera a transformação do Fluido Universal.
Os fluidos, desta forma, possuem várias características. Sua pureza varia ao infinito, na dependência da evolução moral do Espírito que os produziram. Possuem também propriedades, tais como odor, coloração e temperatura. Sob o ponto de vista físico, podem ser vivificantes, calmantes, anestesiantes, curativos, alimentícios, soníferos, enfermiços, etc.
Bibliografia
1) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec
2) A Gênese - Allan Kardec
3) Mecanismos da Mediunidade - André Luiz/Chico Xavier
4) Evolução em Dois Mundos - André Luiz/Chico Xavier - Waldo Vieira 

Elementos gerais do universo

O Livro dos Espíritos
Parte Primeira – Capítulo 2
Elementos gerais do universo
Conhecimento do princípio das coisas – Espírito e matéria – Propriedades da matéria – Espaço universal
17 É permitido ao homem conhecer o princípio das coisas?
– Não, Deus não permite que tudo seja revelado ao homem aqui na Terra.
18 O homem penetrará um dia no mistério das coisas que lhe são ocultas?
– O véu se levanta para ele à medida que se depura; mas, para compreender algumas coisas, precisa de faculdades, dons, que ainda não possui.
19 O homem não pode, pelas investigações das ciências, penetrar em alguns dos segredos da natureza?
– A ciência lhe foi dada para seu adiantamento em todas as coisas, mas não pode ultrapassar os limites fixados por Deus.
21 A matéria existe desde o princípio, como Deus, ou foi criada por Ele em determinado momento?
– Somente Deus o sabe. Entretanto, há uma coisa que a vossa razão deve deduzir: é que Deus, modelo de amor e caridade, nunca esteve inativo. Por mais remoto que possa vos parecer o início de sua ação, acaso o podereis imaginar por um segundo sequer na ociosidade?
22 Define-se, geralmente, a matéria como sendo o que tem extensão, o que pode causar impressão aos nossos sentidos, o que é impenetrável. Essas definições são exatas?
– Do vosso ponto de vista são exatas, visto que somente falais do que conheceis. Mas a matéria existe em estados que para vós são desconhecidos. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que não cause nenhuma impressão aos vossos sentidos; entretanto, é sempre matéria, embora para vós não o seja.
23 O que é o Espírito?
– Espírito é o princípio inteligente do universo1.
23 a Qual é a natureza íntima do Espírito?
– Não é fácil explicar o Espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele não é nada, visto que o Espírito não é algo palpável, mas para nós é alguma coisa. Sabei bem: o nada não é coisa nenhuma, o nada não existe.
24 Espírito é sinônimo de inteligência?
– A inteligência é um atributo essencial do Espírito, mas ambos se confundem num princípio comum, de modo que, para vós, são a mesma coisa.
25 a Essa união é igualmente necessária para a manifestação do Espírito? (Entendemos, aqui, por espírito o princípio inteligente, e não as individualidades designadas sob esse nome).
– Ela é necessária para vós, porque não sois organizados para perceber o Espírito sem a matéria; vossos sentidos não são feitos para isso.
26 Pode-se conceber o Espírito sem a matéria e a matéria sem o Espírito?
– Pode-se, sem dúvida, pelo pensamento.
27 Haveria, assim, dois elementos gerais do universo: a matéria e o Espírito?
– Sim, e acima de tudo Deus, o Criador, o Pai de todas as coisas. Deus, Espírito e matéria são o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material é preciso acrescentar o fluido universal, que faz o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, muito grosseira para que o Espírito possa ter uma ação sobre ela.
27 a Seria esse fluido o que designamos sob o nome de eletricidade?
– Dissemos que ele é suscetível de inumeráveis combinações; o que chamais fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que é, propriamente falando, uma matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar como independente.
29 A ponderabilidade2 é um atributo essencial da matéria?
– Da matéria, assim como a entendeis, sim; mas não da matéria considerada como fluido universal. A matéria etérea e sutil que forma esse fluido é imponderável para vós, mas nem por isso deixa de ser o princípio de vossa matéria pesada.
30 A matéria é formada de um único ou de vários elementos?
– De um único elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são verdadeiros elementos, mas transformações da matéria primitiva.
35 O espaço universal é infinito ou limitado?
– Infinito. Supondo que fosse limitado, devíeis perguntar: o que haverá além de seus limites? Isso confunde a razão, bem o sei, e, entretanto, a própria razão diz que não pode ser de outro modo. Essa é a idéia do infinito em todas as coisas, e não é na vossa pequena esfera que podeis compreendê-lo.
☼ Supondo-se um limite ao espaço, por mais distante que o pensamento possa concebê-lo, a razão diz que além desse limite há alguma coisa, e, assim, sucessivamente, até o infinito; porém, se essa alguma coisa fosse o vazio absoluto, ainda seria espaço.
36 O vazio absoluto existe em alguma parte no espaço universal?
– Não, nada é vazio. O que imaginais como vazio é ocupado por uma matéria que escapa aos vossos sentidos e aos vossos instrumentos.

  1. Ponderabilidade: que se pode medir, pesar, quantificar (N. E.).
  2. Gravidade: lei da Física, atração que os planetas e os corpos celestes exercem uns sobre os outros (N. E.).
Molécula: agrupamento de um ou mais átomos que forma uma substância; a menor quantidade de matéria (N. E.). 

ASPECTO TRÍPLICE DA DOUTRINA ESPÍRITA


  1. FILOSÓFICO
  2. CIENTIFICO
  3. RELIGIOSO

  1. FILOSÓFICO. – Toda doutrina em que se questiona a origem, o porquê, o como, quando e destino do homem é uma filosofia.
A doutrina espírita é uma filosofia porque indaga as seguintes  questões.
*       existe Deus ?
*       de onde viemos ?
*       para onde vamos ?
*       por que estamos na Terra ?
*       por que e para que tanta luta ?
*       existe vida após a morte ?
*       se existe, o homem é feliz ou infeliz após a morte ?
O aspecto filosófico do Espiritismo ocupa-se com a finalidade da vida e com a destinação da alma. Mostra-nos através de um raciocínio lógico que fomos todos criados simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento e sem moral desenvolvida, e que através de vidas A medida que a alma se eleva, vai acumulando saber e virtude. A rapidez com que vamos adquirindo tal evolução, contudo, varia de espírito para espírito, desde que cada um utiliza o seu livre-arbítrio para traçar o seu próprio caminho.


  1. CIENTÍFICO. – Ocupa-se essencialmente com os fenômenos espíritas, isto é, os fenômenos produzidos por espíritos e possíveis de observação pela faculdade mediúnica de espíritos encarnados.
É positivo e experimental como a ciência do mundo, e não abandona a investigação pelo simples fato de os fenômenos não poderem ser repetidos a qualquer hora ou em qualquer lugar.
Seu objetivo de estudo é a existência do Espírito, a sua sobrevivência a morte física e a sua volta ao mundo material.
A ciência espírita tem, portanto, a finalidade da comprovação, da consolidação da realidade do espírito.
"O Espiritismo e a Ciência se completam um pelo outro; a Ciência, sem o Espiritismo, se acha impossibilitada de explicar certos fenômenos, unicamente pelas leis da matéria; o Espiritismo, sem a Ciência, ficaria sem apoio e exame." (Allan Kardec)


3.           RELIGIOSO. – Toda doutrina que concorre para a evolução moral do homem, de forma a aproximá-lo da divindade é uma religião.
O aspecto religioso fundamenta-se em Jesus, conforme se lê na questão 625 de O Livro dos Espíritos : Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem para, lhe servir de guia e modelo ? "Jesus"
A idéia de religião está comumente ligada a uma organização sacerdotal, culto instituído, práticas rituais, dogmas e crendices. O Espiritismo "prega" a fé raciocinada, sem misticismos e segredos, tendo como lema "fora da caridade não há salvação."
Desta forma, o Espiritismo estimula no homem a pratica da bondade, da fraternidade, da humildade, do trabalho incessante em prol da felicidade do nosso próximo.

Leitura Complementar


1. O Evangelho de João registra da seguinte forma a promessa de Jesus relativa ao Consolador: "Se me amais, guardai meus mandamentos. E rogarei a meu Pai e ele vos dará  outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: o Espírito da Verdade que o mundo não pode receber, porque não o vê e absolutamente não o conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará  convosco e estará em vós" (João, 14:15 a 17).
2. Um pouco mais adiante, o mesmo Evangelista atribui a Jesus as seguintes palavras: "Eu vos tenho dito estas coisas enquanto permaneço convosco. Mas o Paráclito, o Santo Espírito, que meu Pai vos enviará em meu nome, vos ensinará  todas as coisas e vos fará  lembrar o que vos disse" (João, 14:25 e 26). (Paráclito ou paracleto significa mentor, defensor, protetor.)
3. Verifica-se por essas palavras que o Consolador prometido por Jesus, também chamado de Santo Espírito e de Espírito da Verdade, seria enviado à Terra com a missão de consolar, lembrar o que ele dissera e ensinar todas as coisas.
4. O Consolador, como Espírito da Verdade, teria, pois, de dar ao homem o conhecimento de sua origem, da necessidade de sua estada na Terra e do seu destino, espalhando por todo o lado a consolação que advém da fé e da esperança.
5. Seu compromisso com a verdade (o ensino de todas as coisas) o eleva à condição de uma nova Revelação (a terceira) da lei de Deus aos homens. Ora, o Espiritismo, procedendo de Espíritos sábios e bondosos, num verdadeiro derramamento da mediunidade na carne, preenche integralmente essas condições, visto que:

1o
- procura lembrar-nos o que Jesus ensinou;
2o
- ensina-nos muitas coisas que o Evangelho não pôde explicar adequadamente;
3o
- consola e conforta os que sofrem ao mostrar-lhes a causa e a finalidade dos sofrimentos humanos.

6. A revelação cristã sucedeu à revelação mosaica; a revelação dos Espíritos veio completá-la. O Espiritismo é, pois, segundo os próprios Espíritos superiores, o Consolador prometido pelo Cristo.
7. Várias foram as razões que justificaram a promessa do Cristo, relativamente ao advento do Espírito da Verdade. Uma delas seria a inoportunidade de uma revelação total e completa pelo Cristo, numa época em que o homem não estaria amadurecido para compreendê-la. Outra razão seria o esquecimento e a falta de vivência das verdades apregoadas no Evangelho. E mais do que isto, destacam-se como forte razão as distorções premeditadas que a mensagem evangélica sofreu ao longo dos tempos. Kardec afirma, em "A Gênese", terem sido dois mil anos de fermentação e de criminosas deformações da mensagem cristã.
8. A relação entre o Espiritismo e o Consolador prometido está no fato de a Doutrina Espírita preencher todas as condições inerentes ao Paráclito anunciado por Jesus. Como assinala Kardec, o Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos de toda gente, pois fala sem figuras, nem alegorias, e levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios, trazendo a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem.
9. Se, de um lado, o Espírito da Verdade se apresentava aos homens, à frente de elevadas Entidades espirituais, que voltaram à Terra para completar a obra do Cristo, de outro Kardec se punha a postos, à frente de criaturas espiritualizadas, dispostas a colaborar na imensa tarefa. Cumpria-se, assim, uma promessa do Cristo, por meio de todo um imenso processo de amadurecimento espiritual do homem.
10. Kardec foi, portanto, o instrumento de que se serviu o Alto para completar a mensagem do Cristo, como ele mesmo havia prometido, por intermédio de uma Doutrina altamente consoladora e intimamente ligada ao ensino moral contido no Evangelho de Jesus, que permanecerá  para sempre conosco.

Bibliografia:
"O Evangelho segundo o Espiritismo", de Allan Kardec, cap. 2.
"A Gênese", de Allan Kardec, itens 37 e 40.
"O Espírito e o Tempo", de J. Herculano Pires.

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita

THIAGO BERNARDES

O que é espiritismo?

Definições criadas por Allan Kardec ao longo da Codificação:

O Livro dos Espíritos: "Diremos, portanto, que a Doutrina Espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se o quiserem, os espiritistas." (Introdução, item I, 1857)


O Que é o Espiritismo: "Para responder antecipadamente e em resumo à questão formulada no título, diremos que:
O ESPIRITISMO É, AO MESMO TEMPO, CIÊNCIA EXPERIMENTAL E DOUTRINA FILOSÓFICA.
COMO CIÊNCIA PRÁTICA, TEM A SUA ESSÊNCIA NAS RELAÇÕES QUE SE PODEM ESTABELECER COM OS ESPÍRITOS.
COMO FILOSOFIA, COMPREENDE TODAS AS CONSEQUÊNCIAS MORAIS DECORRENTES DESSAS RELAÇÕES.
Pode ser definido assim:
O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal."(Prólogo, 1959)


O Livro dos Médiuns: "O Espiritismo é toda uma ciência, toda uma filosofia. Quem, pois, seriamente queira conhecê-lo deve, como primeira condição, dispor-se a um estudo sério e persuadir-se de que ele não pode, como nenhuma outra ciência, ser aprendido a brincar. O Espiritismo, também já o dissemos, entende com todas as questões que interessam a Humanidade; tem imenso campo, e o que principalmente convém é encará-lo pelas suas conseqüências." (Capítulo III, item 18, 1ª parte, 1861)


Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas: "O espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, compreende todas as conseqüência morais decorrentes dessas relações." (1864,
artigo publicado em abril, na Revista Espírita)


Evangelho Segundo o Espiritismo: "O Espiritismo é a nova ciência que vem revelar aos homens, por provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual, e suas relações com o mundo corporal; ele no-lo mostra, não mais como duma coisa sobrenatural, mas, ao contrário, como uma das forças vivas e incessantemente ativas da natureza, como a fonte de uma multidão de fenômenos incompreendidos, até então atirados, por esta razão, ao domínio do fantástico e do maravilhoso." (1864)

O que é o ESDE?

Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita - ESDE

Introdução
"O Espiritismo tornar-se-á uma crença popular ou ficará circunscrito a algumas pessoas?
R.: Certamente, ele se tornará uma crença popular, e marcará uma nova era na história da Humanidade, porque está na Natureza e é chegado o tempo em que deve tomar lugar entre os conhecimentos humanos. (...)"
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 798.
O conhecimento dos princípios espíritas tem beneficiado a Humanidade, trazendo claridade e melhor entendimento dos ensinamentos contidos no Evangelho. Agora, temos a certeza da existência de um mundo espiritual que nos cerca e do qual fazemos parte, ora encarnados, ora desencarnados.

Com o conhecimento espírita podemos entender melhor, o que seja a vida futura, aprendendo a programá-la, a partir das ações do presente. Já compreendemos melhor e sentimos mais de perto a existência de Deus, o Pai de Misericórdia, que nos sustenta e nos acompanha durante toda a vida. Com a Lei da Reencarnação, não há mais dúvida com relação à necessidade do "nascer de novo", que nos dá todas as oportunidades da auto-educação para nos aperfeiçoarmos, até "fazer brilhar a nossa luz", como nos exortou Jesus, no Sermão do Monte.

Com todas essas informações ao alcance de todos, o Espiritismo traz esperanças e consolações para todos os corações; alegrias e certezas, através da fé raciocinada; proporciona ao homem a conquista da felicidade, aqui e agora, apesar de todas as vicissitudes por que passa o homem na Terra.

Procuremos, pois, conhecer mais de perto esta Doutrina libertadora, através do seu estudo, que muito contribuirá para o nosso aperfeiçoamento e para o progresso da Humanidade.
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O ESDE é uma reunião privativa  de grupos, a qual objetiva o estudo metódico, contínuo e sério do Espiritismo, com programação fundamentada na Codificação Espírita.

Embora seja óbvio que o seu objetivo é o de estudar o Espiritismo de forma metódica, contínua e séria, com programação fundamentada na Codificação Espírita, não é demais ressaltar esse aspecto, uma vez que, ocasionalmente, se vêem tentativas de se incluírem, nos cursos de ESDE, teorias estranhas ao contido nas obras básicas do Espiritismo. Desse modo, é preciso que estejamos sempre alertas, uma vez que o
ESDE visa ao estudo sistematizado do Espiritismo, e nada mais.

Não obstante a definição muito clara do seu objetivo, que é o de estudar a Doutrina Espírita, o ESDE traz conseqüências bastante amplas para aqueles que o freqüentam. Essas conseqüências podem-se resumir da seguinte maneira:
  1. facilita a reforma íntima;
  2. garante a unidade de princípios em torno do estudo, facultando a compreensão e a assimilação corretas dos princípios doutrinários espíritas;
  3. proporciona a propagação da doutrina espírita nas bases em que foi codificada;
  4. desenvolve a fé raciocinada; 
  5. contribui para o desenvolvimento de oradores mais bem preparados;
  6. possibilita o entendimento do verdadeiro sentido da palavra caridade, induzindo à sua prática;
  7. favorece a participação de todos e a criação de condições favoráveis para o desenvolvimento da criatividade, da colaboração e da responsabilidade.
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A necessidade de sistematização do estudo do Espiritismo foi antevista por Allan Kardec, conforme se lê no Projeto 1868, inserido em “Obras Póstumas”, in verbis:

Um curso regular de Espiritismo seria professado com o fim de desenvolver os princípios da Ciência e de difundir o gosto pelos estudos sérios (...) Considero esse curso como de natureza a exercer capital influência sobre o futuro do Espiritismo e sobre suas conseqüências.

Nas palavras de Kardec, um curso regular de Espiritismo exerceria “capital influência sobre o futuro do Espiritismo e sobre suas conseqüências”. E isso porque, sendo o crivo da razão o princípio básico de aceitação das idéias espíritas, a divulgação do Espiritismo reclamava a formação de adeptos esclarecidos, que fossem capazes de manter a Doutrina isenta dos erros e dos desvios causados pela ignorância.

Com o passar do tempo, a urgência de se organizar um estudo metódico do Espiritismo foi-se impondo, notadamente no Brasil, à medida que se ia intensificando a procura do público pelas Casas Espíritas. Esse afluxo crescente de pessoas em busca da informação doutrinária, causado, em grande parte, pela ampla divulgação do Espiritismo, passou a preocupar os líderes do Movimento Espírita. Tornava-se necessário proporcionar aos freqüentadores do Centro Espírita a oportunidade de estudarem o Espiritismo de forma sistematizada, quando os conteúdos doutrinários lhes seriam apresentados ordenadamente, obedecendo a uma seqüência lógica de assuntos inter-relacionados.

Não faltou o apelo do Plano Espiritual no mesmo sentido, tanto que o Espírito Angel Aguarod, em mensagem recebida, em 1977, na  Federação Espírita do Rio Grande do Sul, enfatiza:

Cabe, pois, aos espíritas, responsáveis pelo Movimento Espírita, uma ampla tarefa de divulgação das obras básicas da Doutrina, promovendo um estudo sistemático das mesmas.

Finalmente, em 1983, ocorre o lançamento da Campanha do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (ESDE), em reunião memorável do Conselho Federativo Nacional. Na ocasião, o Espírito Bezerra de Menezes, em mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, acentuou:

“Um programa de estudo sistematizado da Doutrina Espírita, sem nenhum demérito para todas as nobres tentativas que têm sido feitas ao longo dos anos (...) é o programa da atualidade sob a inspiração do Cristo.